Para que o 1.º de Maio se transforme em dia do consumidor basta haver lojas abertas, o que atendendo ao momento em
que vivemos ou a outro qualquer, nem me parece mau de todo. Aliás e a propósito
tenho pena de não existirem lojas abertas 24 horas.
Que uma cadeia de supermercados adopte uma estratégia de vendas
agressiva nesse dia, também não me parece mau. Desde que isso represente um
benefício para o consumidor - as afluências atestam isso mesmo –
e que essa estratégia não represente um atentado à concorrência - não faço ideia se isto
configura dumping ou coisa similar!
Que os sindicatos achem mal, até se compreende. Normalmente e
sobre as cadeias de supermercados só costumam referir a precariedade do trabalho e os
atropelos aos direitos dos trabalhadores - o que infelizmente não deixa de ser
verdade!
Hoje e por causa disto até seriam capazes de se unir à Igreja na defesa do
não comércio aos domingos e feriados...
Mas afinal o que é que está mal?
Nada e pelos vistos tudo!
Está mal que 50% dê para dentadas! Basta acenar com descontos e o Neanthertal que dorme cá dentro, encarcerado e bem revestido por milhões de anos de evolução, acorda, salta cá para fora armado do que estiver à unha e a grunhir impropérios, pronto para escavacar a velha que, açambarcando 25 latas de atum Bom Petisco - posta inteira em azeite - faz perigar a sua sobrevivência!
Desacatos, polícia, invasões... isto é humano caraças e nós, além do mais, somos portugueses!
Tantas pessoas que não se importaram
de passar um feriado inteiro agarrados a carrinhos de compras.
Crianças de colo. E porquê? Porque, mais uma vez, os nossos instintos recoletores e caçadores não andam a ser seriamente postos à prova no noss dia a dia mundano, sem promoções deste calibre! Quando temos oportunidade de nos evidenciarmos face ao resto da matilha aí estamos! Zás, 10 carrinhos de compras!
O que está mal é isto, é termos chegado até aqui. Não meremos calças.
Quando o Continente abriu a sua loja na Amadora também houve
desacatos, gente que se desunhou por papel higiénico. Salvo erro e apenas num
dia foram vendidas 42 vacas!
Outros tempos. Não sabíamos o que era um hiper e não estávamos habituados à democratização do consumo e além do mais aquilo era a Amadora... As pessoas já se queriam revoltar desde a Reboleira do Pimenta nos anos 60!
Eu julgava que já vivíamos em plena idade-centro-comercial há quase 3
décadas, que já estariamos vacinados, mas não, num repente regredimos 30 anos. Viajar até à Albânia sem sair de
Portugal! Ele há maior poupança!
Quarta-feira, 2 de Maio de 2012
Terça-feira, 24 de Abril de 2012
Entalado
Terça-feira, 24 de Abril de 2012
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Entre o desejo de torrar guito, próprio da malta que sobrevoa o último escalão do IRS e para quem a crise nem cócegas faz,
e o salário de trolha esforçado, que depois de espremido nas contas resta-se na tasca entre uns quantos tremoços e minis.
Entalado
Em véspera de mais um 25 de Abril cismo nisto.
É como digo, se calhar não merecemos mesmo.
e o salário de trolha esforçado, que depois de espremido nas contas resta-se na tasca entre uns quantos tremoços e minis.
Entalado
Em véspera de mais um 25 de Abril cismo nisto.
É como digo, se calhar não merecemos mesmo.
Sexta-feira, 20 de Abril de 2012
Não gosto da EDP!
Sexta-feira, 20 de Abril de 2012
0
Não sou de grande dispersão no amor: a minha mulher, os
seres mais pequenos, a família e os amigos. Em consequência também não sou nem
de muitos nem de grandes ódios. Como em tudo na vida abro excepções.
Na altura em que estávamos dependentes da PT para ter telefone fixo, tive uma malapata com eles. Mal pude - e me deixaram - cortei relações. Até hoje e do universo PT quero nada. Não quero, não gosto e tenho pena de quem gosta. Nem mesmo o MEO, embora lhes ache piada e nessa medida me irritem solenemente os milhões que a PT desbarata para cair nessas boas graças. Felizmente o telefone fixo caiu em desuso e a linha telefónica, antes única ponte para o mundo, hoje desmaterializou-se e chega-nos por cabo, satélite e fibra óptica. Mas o mais importante é que temos escolha! Assim e se não se gosta da PT então Optimus! ou então ZON ou Vodafone ou etc. E as golden share acabaram pelo que agora a PT brinca no recreio como os outros meninos, sem ter privilégios especiais, nem ser preciso estar sempre a chamar pelo paizinho Estado… (apesar disso estamos ainda longe de poder verdadeiramente falar de uma coisa chamada Level Playing Field…)
Hoje e nos meus fígados é a EDP quem destrona a PT, produzindo uma bílis amarela e odiosa… e isto de amarelo nada tem a ver com o capital... é visceral, já assim era ainda antes de ter sido nacionalizada ao partido capitalista chinês...
Nunca fui à bola com mono ou oligopólios e a EDP, diga-se o que se disser é um monopólio!
Mal pude corri para a Endesa, que me revende a electricidade com 5% de desconto, mas para isto tive sempre de contratar a EDP... Não tive escolha!
A EDP é um ogre anafado, opulento, gastador e pedante, que só veste roupa de marca em alfaiate caro e que gosta de se dar ares (literalmente) de menino exemplar, mas vive à custa do cliente.
Lamento o tom esquerda proletária e grevista, mas tenho de admitir que é assim mesmo. Senão:
Admite-se que esse cidadão, depois de ligado à EDP, se não optar por financiá-los directamente por via de uma ‘conta certa’ e se não comunicar religiosamente as leituras do contador (alugado eternamente), passe a ser facturado com base em estimativas astronómicas, que tanto podem dar origem a débitos como a créditos igualmente disparatados?
No departamento de facturação a EDP deve ter poucos trabalhadores, até porque ninguém quer trabalhar na facturação podendo andar divertido a inventar pilhas, centrais e ventoinhas, a imitar o Noé e a mandar no vento e no caracinhas....
Eu acho que isto não faz sentido nenhum mas cada vez que ouço o Mexia a falar eu é que me sinto mais tolo... Aliás se quisermos a opinião dele (sempre brilhante) quanto às tarifas praticadas refere aqui que, e cito: «os preços da electricidade não são um problema para os Portugueses». Eu permito-me acrescentar-lhe ‘para os Portugueses da sua (António Mexia) esfera de relação’. Ora pôrra!
O que se passa é que até à invenção da electricidade em pó, resta-nos e resta-me continuar a pagar o que eles quiserem e quando quiserem... a vociferar impropérios sempre que ligo a televisão e vejo meninos e meninas muito limpinhas a dizer que as mamãs e os papás são fortes e inteligentes como o Einstein, que inventam pilhas gigantes, constroem dúzias de barragens ao pequeno-almoço e são como o Noé, protegem a natureza e mandam no vento e nas ventoínhas …
Náusea! Só posso ser eu, a culpa só pode ser minha, sou português, estou atolado em crise até à raiz dos cabelos e para ajudar não valho um chavo...
Mereço mesmo esta merda!
Na altura em que estávamos dependentes da PT para ter telefone fixo, tive uma malapata com eles. Mal pude - e me deixaram - cortei relações. Até hoje e do universo PT quero nada. Não quero, não gosto e tenho pena de quem gosta. Nem mesmo o MEO, embora lhes ache piada e nessa medida me irritem solenemente os milhões que a PT desbarata para cair nessas boas graças. Felizmente o telefone fixo caiu em desuso e a linha telefónica, antes única ponte para o mundo, hoje desmaterializou-se e chega-nos por cabo, satélite e fibra óptica. Mas o mais importante é que temos escolha! Assim e se não se gosta da PT então Optimus! ou então ZON ou Vodafone ou etc. E as golden share acabaram pelo que agora a PT brinca no recreio como os outros meninos, sem ter privilégios especiais, nem ser preciso estar sempre a chamar pelo paizinho Estado… (apesar disso estamos ainda longe de poder verdadeiramente falar de uma coisa chamada Level Playing Field…)
Hoje e nos meus fígados é a EDP quem destrona a PT, produzindo uma bílis amarela e odiosa… e isto de amarelo nada tem a ver com o capital... é visceral, já assim era ainda antes de ter sido nacionalizada ao partido capitalista chinês...
Nunca fui à bola com mono ou oligopólios e a EDP, diga-se o que se disser é um monopólio!
Mal pude corri para a Endesa, que me revende a electricidade com 5% de desconto, mas para isto tive sempre de contratar a EDP... Não tive escolha!
A EDP é um ogre anafado, opulento, gastador e pedante, que só veste roupa de marca em alfaiate caro e que gosta de se dar ares (literalmente) de menino exemplar, mas vive à custa do cliente.
Lamento o tom esquerda proletária e grevista, mas tenho de admitir que é assim mesmo. Senão:
Admite-se que num país com a dimensão micro de Portugal e em pleno
século XXI, ainda existam 18.300 famílias/lares1 ou 55.0002 pessoas,
cujas casas não dispõem de electricidade?
Admite-se que um cidadão desse país, que tenha o azar de viver num monte ou
numa serra, que diste por exemplo 1000 metros de um ponto de luz tenha de pagar
à EDP, para ter electricidade, em média e entre outros custos, 7.500,00€3,quando essa mesma empresa apresenta (2011) resultados líquidos de 1.125 Milhões? Admite-se que esse cidadão, depois de ligado à EDP, se não optar por financiá-los directamente por via de uma ‘conta certa’ e se não comunicar religiosamente as leituras do contador (alugado eternamente), passe a ser facturado com base em estimativas astronómicas, que tanto podem dar origem a débitos como a créditos igualmente disparatados?
No departamento de facturação a EDP deve ter poucos trabalhadores, até porque ninguém quer trabalhar na facturação podendo andar divertido a inventar pilhas, centrais e ventoinhas, a imitar o Noé e a mandar no vento e no caracinhas....
Eu acho que isto não faz sentido nenhum mas cada vez que ouço o Mexia a falar eu é que me sinto mais tolo... Aliás se quisermos a opinião dele (sempre brilhante) quanto às tarifas praticadas refere aqui que, e cito: «os preços da electricidade não são um problema para os Portugueses». Eu permito-me acrescentar-lhe ‘para os Portugueses da sua (António Mexia) esfera de relação’. Ora pôrra!
E nesta história toda e de caminho vai um Secretário de Estado deste governo (Passos Coelho) que
se demite porque tenta dizer que as tarifas são um roubo e que as empresas do sector estão a roubar o cidadão e o contribuinte4. Pumba! É melhor saíres que isto aqui não é para tipos que até percebem disto...
Ainda vai chegar o dia em que descobrem que a EDP afinal era só vento… Um negócio de merda, embrulhado em
papel caro de festa, cheio de ventoínhas! O que se passa é que até à invenção da electricidade em pó, resta-nos e resta-me continuar a pagar o que eles quiserem e quando quiserem... a vociferar impropérios sempre que ligo a televisão e vejo meninos e meninas muito limpinhas a dizer que as mamãs e os papás são fortes e inteligentes como o Einstein, que inventam pilhas gigantes, constroem dúzias de barragens ao pequeno-almoço e são como o Noé, protegem a natureza e mandam no vento e nas ventoínhas …
Náusea! Só posso ser eu, a culpa só pode ser minha, sou português, estou atolado em crise até à raiz dos cabelos e para ajudar não valho um chavo...
Mereço mesmo esta merda!
1 –Fonte PORDATA, Fundação
Francisco Manuel dos Santos. Estimativa baseada nos últimos dados disponíveis -
1997 - que apontavam para 0.7% das famílias. Observada a tendência considerou-se
apenas 0,5%. Sim, isto não é ao calhas!
2 - Pressuposto de família composta
é média por 3 pessoas - o que não é necessariamente verdade nos meios remotos e
rurais onde se situam estes lares, ainda para mais sem electricidade não há
televisão. Quando não há televisão toda a gente sabe o que acontece…
3 – Valor médio calculado para uma
distância de 1000 metros, conforme preçário EDP, disponível no site http://www.edp.pt/pt/particulares/apoioaocliente/ligacaorede/Pages/NovaLigacaoemBaixaTensao.aspx.
A este valor ainda acrescem ainda os custos com elementos de ligação de uso
exclusivo (caso o cliente não opte pela sua construção); custos de reforço das
redes; custo de estudos para a elaboração do orçamento; encargos de elementos
de rede de uso partilhado (caso existam); encargos devidos a terceiros (caso
existam) e outros (a discriminar), enfim, tudo o que for preciso, o cliente
paga tudo! Grande negócio!
4- Ainda restando paciência pode ler
aqui o discurso que o Secretário de Estado da Energia não teve oportunidade
de ler porque se demitiu antes.
Segunda-feira, 16 de Abril de 2012
Conheça a Crise...
Segunda-feira, 16 de Abril de 2012
1
A Fundação Francisco Manuel dos Santos «tem como missão estudar, divulgar e debater a
realidade portuguesa. Com liberdade e independência.» O seu fundador: Alexandre Soares
dos Santos.
António Barreto é o Presidente do Conselho de Administração da Fundação.
A Fundação Francisco Manuel dos Santos lançou dia 13 de Março o portal «Conhecer a Crise». Aqui são compilados indicadores sobre as mais variadas vertentes da economia, que permitem aos utilizadores perceber melhor os verdadeiros efeitos da crise.
António Barreto é o Presidente do Conselho de Administração da Fundação.
A Fundação Francisco Manuel dos Santos lançou dia 13 de Março o portal «Conhecer a Crise». Aqui são compilados indicadores sobre as mais variadas vertentes da economia, que permitem aos utilizadores perceber melhor os verdadeiros efeitos da crise.
No que toca à mudança de hábitos de consumo, existem dados que permitem afirmar alterações significativas, designadamente ao nível dos produtos alimentares. É absolutamente visível a tendência de trocar produtos mais supérfluos por bens de primeira necessidade. O mais barato sobrepõe-se. É a prova de que «os portugueses estão a resistir e a adaptar-se à crise. Estão a mudar de hábitos e a desenvolver estratégias para se defender», afirma o sociólogo António Barreto, da Fundação. (...)
Assim, você sabia que:
- o consumo de carne de vaca travou a fundo, e que o de carne de porco e aves, mais baratas, registou fortes crescimentos?
- o consumo de cerveja, vinho e refrigerantes está em forte queda, substituído pelo crescente consumo de água?
- o consumo de leite caiu 4,5% no último trimestre de 2010, ditado sobretudo pela menor procura de leites achocolatados, aditivados, que recuaram 7,9%, ao passo que o leite básico desceu apenas 3,7%?
in Agência Financeira, Economia
É verdade, estas informações estão por aí, pelo menos nas ruas da cidade de Lisboa, numa campanha da PORDATA, da Fundação
Francisco Manuel dos Santos.
Aqui e agora deveria haver um pequenino separador, como se de outro assunto se tratasse.
Aqui e agora deveria haver um pequenino separador, como se de outro assunto se tratasse.
O Pingo Doce é uma marca de supermercados
do Grupo Jerónimo Martins, de quem o senhor Soares dos Santos é Presidente e
Fundador.
E o tal António Barreto, o mesmo sociólogo e presidente do tal Pordata, da tal Fundação Francisco Manuel dos Santos, aparece agora munido de saca-rolhas e com um ar sorridente no tal Pingo Doce do tal senhor Soares dos Santos, a
aconselhar-nos vinho...
Que «o homem é o homem e as suas circunstâncias» já dizia o filósofo espanhol. Com isto não só acabo a conhecer melhor o homem António Barreto como acabamos todos a conhecer melhor as circunstâncias da
crise...
Sexta-feira, 23 de Março de 2012
Polícia em Portugal sofre de um problema crónico de saúde ocupacional...
Sexta-feira, 23 de Março de 2012
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O problema arrasta-se há décadas: A polícia portuguesa tem muito pouco para fazer. Assim, vão-se entretendo como podem e como os vão deixando, coitados. Pouco preparados, brutos como as casas, ansiosos por dar uso condigno ao cacetete, têm que vir para a rua brincar. Na esquadra ninguém os aguenta e em casa, imagino, também não.
Para quando uma solução?
Polícias e ladrões são carne do mesmo alguidar. Os primeiros servem para nos proteger dos segundos, mas não há quem nos defenda dos primeiros…
Para quando uma solução?
(Jornalista agredida, Chiado, 2012 - Fotografia de Hugo Correia/Reuters)
Polícias e ladrões são carne do mesmo alguidar. Os primeiros servem para nos proteger dos segundos, mas não há quem nos defenda dos primeiros…
(Secos vs Molhados, Terreiro do Paço, 1988)
Para quem quiser matar saudades deste tempo em que se entretinham
sozinhos:
http://tv1.rtp.pt/noticias/index.php?article=215014&tm=8&layout=122&visual=61
Segunda-feira, 19 de Março de 2012
Doce
Segunda-feira, 19 de Março de 2012
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Sonhei contigo. Sorrias e andavas por aqui, atarefada na tua agenda como se nada... como se nada tivesse acontecido. Ninguém se admirava e eu parvo,
parecia nada estranhar, antes me deixava enternecer, não por te ver assim ocupada, mas mais o saber-te ignorante do teu
estado, até de como reagirias quando soubesses… Ao mesmo tempo perpassava-me uma curiosidade.
Saber como farias essa habilidade, como seria o teu dia depois de saíres daqui. A tua
família ainda te veria também, e os teus filhos? Assim era natural que eles não
sentissem a tua falta…
Eu a querer falar contigo a sós, por respeito para com o teu estado e por consideração para contigo, tal como quando temos a roupa em desalinho e alguém próximo, num gesto de cumplicidade com a nossa intimidade revelada, nos chama disfarçadamente à atenção. Era isto e não
poderia dizer-to de qualquer maneira, ainda para mais à frente de outros.
Como se fosse relativamente aceite e normal tu teres morrido há um ano e ainda assim por aqui andares.
Como se fosse relativamente aceite e normal tu teres morrido há um ano e ainda assim por aqui andares.
Quinta-feira, 15 de Março de 2012
Encaixotar a vida
Quinta-feira, 15 de Março de 2012
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Agora, que deveria estar a usar os 70 caixotes onde supostamente terá de caber a minha vida dos últimos 4 anos, estou antes sentado no sofá da sala a babar... Não sei por onde começar. Se me arrumo, vivo até ao fim do mês a escalar e a transpor cordilheiras de caixotes...
Terça-feira, 13 de Março de 2012
Noite
Terça-feira, 13 de Março de 2012
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É de noite e sinto o cansaço (idade?) trepar por mim acima, pendurar-se-me nos olhos. Não cedo e agito-me, como se de chuva, de água na capa, e esta pudesse escorrer, secar.
Conto os dias todos os dias e acho que amanhã é que é, mas não sei o que farei logo a seguir ao amanhã.
Vou-me embora desta casa e do barulho da porta da rua. Apesar do aviso garrafal 'Não deixe bater a porta, especialmente de noite e de madrugada, obrigado'... é o vizinho de cima que chega, deve trabalhar por turnos, sai à uma da manhã. Ouço-lhe o descalçar, as botas a cair no chão, os passos no corredor, apesar do aviso garrafal. Não tarda nada rebenta a miúda a chorar. É de dia no andar de cima.
No rés-do-chão é de madrugada e ouve-se tudo. Adormeço apesar do aviso, garrafal.
Conto os dias todos os dias e acho que amanhã é que é, mas não sei o que farei logo a seguir ao amanhã.
Vou-me embora desta casa e do barulho da porta da rua. Apesar do aviso garrafal 'Não deixe bater a porta, especialmente de noite e de madrugada, obrigado'... é o vizinho de cima que chega, deve trabalhar por turnos, sai à uma da manhã. Ouço-lhe o descalçar, as botas a cair no chão, os passos no corredor, apesar do aviso garrafal. Não tarda nada rebenta a miúda a chorar. É de dia no andar de cima.
No rés-do-chão é de madrugada e ouve-se tudo. Adormeço apesar do aviso, garrafal.
Quarta-feira, 7 de Março de 2012
Hiper
Quarta-feira, 7 de Março de 2012
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No regresso e nisto dos blogues apercebo-me de uma coisa deveras estranha. Nas leituras de outros blogs irritam-me as hiperligações. Dou por mim a não querer perder tempo a seguir o link e perceber o que lá está atrás, mas quando continuo (sempre) fico com a sensação de não ter alcançado na sua plenitude o sentido que o autor, com a hiperligação, atribuiu. Dramas de uma velhice ansiosa?
Rigorosamente nada
Ando a ganhar força para isto. Para ser sacrifício mais vale estar quieto, como aliás tenho estado, se calhar bem. Quietinho, a ver isto e tudo rolar. Também tenho ido lá à repartição como não podia deixar de ser, mas isso não vem ao caso.
Assim, que dizer aqui agora? Política? Eu não me interesso por política - é verdade, eu sou um desses que diz isto - e sinto-me cada vez mais amorfo se calha tropeçar num noticiário. Como deixei de ver televisão não conheço ninguém que interessa à televisão. Quando ouço um alguém qualquer já pouco entendo do que fala. Por isso não sei. Assim nada posso considerar a respeito da política, dos ministros, do presidente reformado...
Um dia destes acordamos e Lisboa, Portugal estão geminados com Tirana, Albânia, mas de há 30 anos. Tenho tickets restaurante que uso no Pingo Doce. Aceitam mas não dão troco. Para não perder uns cêntimos pago o remanescente com dinheiro. Confesso vergonha, talvez por me fazerem lembrar as senhas de racionamento ou os livrinhos de descontos, que a minha avó trocava no lugar do senhor Lucas por 2 litros de leite, em 75.
Resta o quê? Criticar livros que tenha lido? Leio pouco, quero dizer, não leio à velocidade Facebook. Posso dizer que acabei de ler 'O Jogo do Anjo' de Carlos Ruiz Zafón e que o tipo me conseguiu enganar mesmo até ao fim. Apeteceu-me telefonar-lhe para o mandar à merda pelas perto de 600 páginas em que me enrolou. Faz jus à fotografia de cabrão que deixou à laia de aviso na contracapa. Eu deveria ter percebido. Agora estou a deixar-me levar pela 'Mulher Certa' do São Bernardo do Sandor Marai. Considero o Sandor um porto seguro depois de 'As velas ardem até ao fim'.
Filmes? Tenho ido pouco ao cinema e honestamente só me vem à cabeça o último filme que vi, uma curta de produção caseira com o Castelo Branco como actor secundário, um empresário do norte (claramente actor principal) e mais à sua Carla (figurante?) também do norte. Enquadramentos distantes e planos muito fixos a contrastar com uma dinâmica meio apressada. A páginas tantas e apesar do empresário a resfolegar em cima dela a Carla chama pelo Zé - ele anda por ali a passarinhar, ora ao linguado, ora a entrar e a sair enfim, afazeres vários ou qualquer coisa ao lume - constatando numa das aproximações à pista que o Zé nunca chegou sequer a despir a 'teshirt'... (hilariante ou mais resumidamente lol) Uma coisa é certa, o tipo, o Zé, engana bem. Não há nada daquela Amélia que ele vende aos big brothers. O empresário, para compensar, também não chega a tirar as peúgas - corrijo, meias, que a minha namorada acha feio que eu diga peúgas - mas afinal o empresário anda no papel dele, a fazer o que é suposto que faça um empresário, empreender. E é disso mesmo que falta neste país, mais empreendedores.
Assim, que dizer aqui agora? Política? Eu não me interesso por política - é verdade, eu sou um desses que diz isto - e sinto-me cada vez mais amorfo se calha tropeçar num noticiário. Como deixei de ver televisão não conheço ninguém que interessa à televisão. Quando ouço um alguém qualquer já pouco entendo do que fala. Por isso não sei. Assim nada posso considerar a respeito da política, dos ministros, do presidente reformado...
Um dia destes acordamos e Lisboa, Portugal estão geminados com Tirana, Albânia, mas de há 30 anos. Tenho tickets restaurante que uso no Pingo Doce. Aceitam mas não dão troco. Para não perder uns cêntimos pago o remanescente com dinheiro. Confesso vergonha, talvez por me fazerem lembrar as senhas de racionamento ou os livrinhos de descontos, que a minha avó trocava no lugar do senhor Lucas por 2 litros de leite, em 75.
Resta o quê? Criticar livros que tenha lido? Leio pouco, quero dizer, não leio à velocidade Facebook. Posso dizer que acabei de ler 'O Jogo do Anjo' de Carlos Ruiz Zafón e que o tipo me conseguiu enganar mesmo até ao fim. Apeteceu-me telefonar-lhe para o mandar à merda pelas perto de 600 páginas em que me enrolou. Faz jus à fotografia de cabrão que deixou à laia de aviso na contracapa. Eu deveria ter percebido. Agora estou a deixar-me levar pela 'Mulher Certa' do São Bernardo do Sandor Marai. Considero o Sandor um porto seguro depois de 'As velas ardem até ao fim'.
Filmes? Tenho ido pouco ao cinema e honestamente só me vem à cabeça o último filme que vi, uma curta de produção caseira com o Castelo Branco como actor secundário, um empresário do norte (claramente actor principal) e mais à sua Carla (figurante?) também do norte. Enquadramentos distantes e planos muito fixos a contrastar com uma dinâmica meio apressada. A páginas tantas e apesar do empresário a resfolegar em cima dela a Carla chama pelo Zé - ele anda por ali a passarinhar, ora ao linguado, ora a entrar e a sair enfim, afazeres vários ou qualquer coisa ao lume - constatando numa das aproximações à pista que o Zé nunca chegou sequer a despir a 'teshirt'... (hilariante ou mais resumidamente lol) Uma coisa é certa, o tipo, o Zé, engana bem. Não há nada daquela Amélia que ele vende aos big brothers. O empresário, para compensar, também não chega a tirar as peúgas - corrijo, meias, que a minha namorada acha feio que eu diga peúgas - mas afinal o empresário anda no papel dele, a fazer o que é suposto que faça um empresário, empreender. E é disso mesmo que falta neste país, mais empreendedores.
Segunda-feira, 5 de Março de 2012
Segunda-feira, 5 de Março de 2012
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Abri a porta e pus-me a ler o que aqui fui deixando. Decidi manter a tasca aberta, a arejar, afinal mal não fará...
Sexta-feira, 7 de Outubro de 2011
Luanda, 7 de Outubro de 2011
Sexta-feira, 7 de Outubro de 2011
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Jantei no restaurante dos coqueiros com o Carlos Manuel. Na
verdade eu já o conhecia desde pequeno. Troquei e colei o cromo dele em várias
épocas. Simpático.
Quinta-feira, 6 de Outubro de 2011
Luanda, 6 de Outubro de 2011
Quinta-feira, 6 de Outubro de 2011
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Não saio daqui. Regresso mais uma vez. Mesmo hotel. O mesmo toque e
foge. O cheiro. Volto para Lisboa a 13.
Desta feita tentei sem sucesso regatear um quarto mais distante em relação ao gerador. Da última vez fiquei mesmo por cima do gerador. É perfeitamente normal em Luanda ter um hotel desta dimensão a funcionar exclusivamente a gasóleo…
Desta feita tentei sem sucesso regatear um quarto mais distante em relação ao gerador. Da última vez fiquei mesmo por cima do gerador. É perfeitamente normal em Luanda ter um hotel desta dimensão a funcionar exclusivamente a gasóleo…
Não consegui outro quarto e devo dizer que até fiquei contente
por ter tido quarto. Nem todos os que chegaram ao hotel nesta madrugada e
apesar das reservas tiveram a mesma sorte.
Dormir meia hora. Nem sempre é tão fácil conseguirmos definir o que nos fará felizes. Dormir meia-hora.
Sábado, 10 de Setembro de 2011
Luanda, 10 de Setembro de 2011,
Sábado, 10 de Setembro de 2011
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Em Lisboa casa-se um amigo e eu aqui.
Talatona é hotel e complexo pretensioso. Há relva. Esqueço-me
que estou em Angola.
Quinta-feira, 8 de Setembro de 2011
Luanda, 8 de Setembro de 2011
Quinta-feira, 8 de Setembro de 2011
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Acabo de aterrar mais uma vez em Luanda. O mesmo cheiro.
Parece que foi ontem mesmo que aqui estive. Desta feita é um toque e foge. Regresso a Portugal a 12. Passa num instante.
Vim em equipa (somos 5). Instalado no hotel Baía (da Teixeira Duarte) que foi
inaugurado no mês passado. Cá em cima, no bar da cobertura vê-se o mar e o
musseque. Isto assim e à primeira vista até engana.
Quarta-feira, 6 de Julho de 2011
Luanda, 6 de Julho de 2011, madrugada de quarta-feira
Quarta-feira, 6 de Julho de 2011
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Vamos
embora hoje. Escrevo antes de dormir, a mala já feita. O último jantar, de
'agradecimento' ao F. à L. e ao JR. (que ainda por cá ficam) foi no Oon Dah (onda), o melhor restaurante, sem sombra de
dúvida, em toda a Luanda. Agradecimento pela disponibilidade e acolhimento
neste sítio ‘agreste’, que assim e graças a eles, o foi bastante menos.
Ainda
trabalhamos de manhã, aproveitaremos o almoço tardio para fechar o círculo no
primeiro restaurante onde fomos, o ‘Cais de Quatro, na ilha. Depois trataremos
do check-in com a última réstia de paciência para
lidar com os bandidos funcionários do aeroporto, que tratarão de nos tentar
extorquir os poucos dólares que nos restaram.
Sinto-me um emigra, cheio de saudades de Lisboa.
Domingo, 3 de Julho de 2011
Luanda, 3 de Julho de 2011, domingo
Domingo, 3 de Julho de 2011
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Regressado
a ‘casa’.
De volta a Luanda, ao Hotel Trópico onde, depois das voltas do fim-de-semana e dos cerca de 1000kms acabo, estranhamente, por me sentir em casa.
Saímos sábado pelas 9 em direcção à estrada do Catete, a mesma que fazemos todos os dias para ir para o centro de formação Hoie Ya Henda.
De volta a Luanda, ao Hotel Trópico onde, depois das voltas do fim-de-semana e dos cerca de 1000kms acabo, estranhamente, por me sentir em casa.
Este
fim-de-semana fomos para norte, para Malanje. A distância não seria elevada,
não se tratasse de Angola e não estivesse a estrada pejada de bandidos salteadores. Refiro-me aos polícias. O resto até se toleraria. A miséria, a falta de infra-estruturas
básicas, as crateras e as estradas chinesas, enfim, o resto até se aceitaria
porque isto é África, isto esteve em guerra e isto é e será sempre mesmo assim.
Saímos sábado pelas 9 em direcção à estrada do Catete, a mesma que fazemos todos os dias para ir para o centro de formação Hoie Ya Henda.
De
Viana e do Dondo, por onde se passa, não se guarda história. Após N’Dalatando
(anterior Salazar) fazemos um ´pequeno` (julgávamos pequeno) desvio ao nosso percurso
inicial para Massangano. Um caminho de cabras, cerca de uma hora de picada. Por
isso e se calhar só por isso mesmo valeu a pena.
Massangano não é mais do que
uma pequena aldeia de cubatas e um posto da guarda no alto de uma das curvas do
rio Kwanza. No entanto a ali perdidos estão meia dúzia de monumentos do séc. XVI, relativos
ao navegador Paulo Dias Novais, ali sepultado. Chegou por rio e terá demorado decerto menos tempo
do que nós por estrada.
Para
atestar a sua passagem está, logo na entrada da aldeia, uma ruína de uma casa
de reclusão e tribunal, uma câmara municipal, o forte ou a fortaleza, o mercado
de escravos e claro, como não podia deixar de ser, a igreja.
Por
todo o lado em Angola parece que apenas os chineses trabalham. Nas estradas,
nos edifícios e ali, aquele lugar remoto, não é excepção. Encontrámos a Igreja a
ser restaurada. As cores com que a pintaram demonstram exactamente a sua falta
de gosto e naturalmente o baixo custo da empreitada.
Dormimos
em Malange, no Palácio Regina, depois da visita às pedras negras de Pungo
Adongo. Uma série de montes de pedra feita de uma amalgama de sedimentos e
seixos. Lá no alto, além da vista e do silêncio, podemos ver pegadas humanas em
plena rocha. Dizem ser da rainha D’ginga, heroína nacional.
Hoje,
de manhã, fomos às quedas de Kalandula e a umas outras, distantes como o
caraças, onde tomamos banho. Uma picada igualmente comprida e que nos atrasou bastante
o regresso. Em Kalandula ‘contratámos’ um guia, um tal de Jonce, que nos foi
explicando o caminho. Para esta gente, estando em vista ganhar umas poucas
Kuanzas, dizem exactamente o que interessa. É perto? Perguntamos. É, diz o
rapazinho. Obviamente se dissesse ser longe arriscaria não embuchar os 700 kz
que acabou por ganhar. Meia hora e muitos solavancos depois tentamos
perguntar-lhe afinal quanto é que seria perto. A dificuldade no entendimento
estende-se até à própria medida utilizada pelo rapaz. - Fica a 3 aldeias. Tem que passar 3 aldeias!
Ficámos na mesma, apenas com a
sensação de derrota por ainda não termos sequer passado a primeira e já
andarmos naquilo há meia hora.
O
sítio lá nos apareceu e só contámos 2 aldeias. Nem na medida acertou. Uma
cascata de 20 metros de altura, água fria uma cor meia barrenta.
Ainda assim tomámos banho.
O
regresso a Luanda fez-se maioritariamente durante a noite, que aqui nesta altura começa logo
às seis da tarde. Da viagem guarda-se naturalmente a paisagem, única e de grande
imponência, mas sobretudo as barreiras policiais. Perdi-lhes a conta. O Pula
(nós) é alvo fácil. O branco é apontado na rua em terrinhas como estas. Mesmo
no escuro da noite somos barrados. Fazem-no a todos, o tipo de linguagem de
assalto é que será distinta, imagino. O nacional angolano, se for taxista ou
camionista é igualmente importunado. Basta a aparência da existência de um
negócio para a cáfila da polícia entender estar no legítimo direito de exigir
compensação, ‘gasosas’, ‘saldos’. Connosco apanhamos de tudo. Desde o que, com
ar sério nos bate a continência, nos exige todos os documentos possíveis e
imaginários e continua por aí fora, pretensamente preocupado com a ‘verificação
dos elementos técnicos’ e verifica extintor, triângulo, chave de rodas, macaco…
passando pelo que se aproxima meio torto, arrasta uma primeira frase
incompreensível e nos pede a ‘nossa legalidade’, até ao que adopta a postura de
mendigo humilde ensaiando a esmola por meio do ‘é o que quiser dar para ajudar’.
Todos, mas todos sem excepção, estão orientados para a extorsão. O pretexto é
que varia. Num deles, o tal que nos pede qualquer coisa, o que quiséssemos dar,
depois de lhe dizermos que já tínhamos dado tudo nos controles anteriores, e perante
a sua insistência - que é feita sempre na posse dos nossos documentos - acabamos
por lhe dar um chocolate meio aberto, que tínhamos comprado numa bomba de
gasolina uma dúzia de quilómetros antes, mas que por ter estado sujeito a
diferenças de temperatura, não estava em boas condições. O indivíduo aceita e
nós arrancamos incrédulos e à gargalhada. Concluímos logo de seguida que teria
sido esse mesmo ‘agente’ que, na ida, nos abordou mais ou menos com a mesma
conversa e a quem despachámos uma lata de Coca-Cola. Desta vez o pobre imbecil
ainda nos pediu desculpa por não ter lido sequer os documentos… Desconcertante.
Há os outros que tentam, sob a aparência de uma pretensa ilegalidade,
ameaçar-nos com uma detenção sob a forma de um ‘vamos ali à delegacia’. Tudo
serve. Desta vez elucidaram-nos que não podíamos circular em turismo sem uma
autorização em que fosse expressamente mencionada a exacta identidade de cada
um de nós… Se não fosse verdadeiro e não nos custasse de cada vez 1000 ou 2000
kz, até teria a sua graça. Dá vontade de não parar, de não obedecer, de passar
fingindo não entender, mas as pistolas à cintura, as AK47 ou as
pistolas-metralhadoras a tiracolo parecem-nos argumento suficiente para nem sequer
pensar nisso.
Quinta-feira, 30 de Junho de 2011
Luanda, 30 de Junho de 2011, quinta-feira
Quinta-feira, 30 de Junho de 2011
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Continuo
partido mas acho que não morro. O Toni referiu hoje sentir-se mal também. Pediu-me,
quando o deixei, se lhe poderia dispensar o paracetemol. Dei-lhe os dois
comprimidos que à cautela tinha enfiado pela manhã no bolso do casaco. Diz-se
também muito quebrado, braços e pernas, articulações e refere paludismo. Deve
estar a ver se nos assustamos. Acho até que se poderá estar a preparar para nos
deixar na mão amanhã.
Regresso ao hotel enjoado. Temo pelos efeitos do bife da vazia, de búfalo e não de vaca (espero) que decerto acabei de comer. Um pedaço de carne alta e grossa, de cor avermelhada e com um sabor intenso. Foi no restaurante Lua Nova e estou em crer, que foi o sítio mais barato onde comemos até agora (e apesar disso 6000kz).
J
á
faltou mais. Amanhã, um fim-de-semana, mais um dia e no outro adeus. Três
semanas é muito tempo. Além do mais sinto-me um inútil. Se ao mesmo tempo me
acho excessivo por aqui a fazer isto, por outro tenho a consciência que, de
contrário nada correria desta forma. Já tinham adiado tudo, já nada era o que
combinámos, a encomenda ainda andava por lá, entre as alfândegas, a DHL e o
aeroporto, etc, etc.
Isto
tudo funciona tão mal e de forma tão precária que há sempre uma desculpa,
inclusivamente para terem uma desculpa.
Regresso ao hotel enjoado. Temo pelos efeitos do bife da vazia, de búfalo e não de vaca (espero) que decerto acabei de comer. Um pedaço de carne alta e grossa, de cor avermelhada e com um sabor intenso. Foi no restaurante Lua Nova e estou em crer, que foi o sítio mais barato onde comemos até agora (e apesar disso 6000kz).
Quarta-feira, 29 de Junho de 2011
Luanda, 29 de Junho de 2011, quarta-feira
Quarta-feira, 29 de Junho de 2011
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O Mussulo, ontem, era um deserto. Ninguém, com excepção do par de pulas que éramos nós. O primeiro sítio para onde nos dirigíamos, o Bar Sul, estava fechado. Foi o miúdo, condutor da lancha, que nos sugere o Sonho Dourado. Não havia grande escolha, para dizer a verdade, acho que não havia qualquer escolha. Pelo passeio a pé que fiz pelo areal não vi mais ninguém.
O Sonho Dourado é um bar em madeira com espaço para festarolas e música ao vivo.
Comemos um arroz de marisco e umas gambas grelhadas que nem estavam mal. Nos intervalos, deitados nas espreguiçadeiras, dormimos.
Esta tarde fiz exactamente o mesmo, dormi a tarde toda, 4 horas. Hoje tenho desculpa, estou engripado. Fui à farmácia, mesmo em frente do hotel e comprei Paracetamol. Vendem aos blisters, produto branco, sem indicação de qualquer marca. 400 kz por 12 comprimidos.
À noite acabo a jantar no Lookal e a regressar ao hotel quanto antes, quer para falar no skype como para aproveitar a noite, já que temia que a febre subisse.
Agora, dormida a tarde, ainda sinto que estou sob a influência dos comprimidos e estou um bocado partido, mas acho que não morro disto.
Com
o tempo vamo-nos habituando a isto. O que nos parecia chocante começa a ganhar uma dimensão
de realidade à qual, começamos a perceber, vamos estando já vacinados.
Já
nem falo dos carros. Bichos enormes como o Toyota Tundra, o Nissan Armada ou o
Titan, veículos que gastam 30 ou mais litros. Muitos veículos V8, com
cilindradas de 5.4… Jipes muitos, dos enormes, caríssimos. Sequóias, Prados… e
de vez em quando Jaguares, Mercedes, Audis F qualquer coisa, igualmente
caríssimos.
Habituamo-nos ao que vamos vendo, às misérias que nos pareciam chocantes no
início, aquando do primeiro embate, à chegada ao aeroporto e na viagem em direcção ao centro da
cidade. Por exemplo só hoje comentámos a “notícia”, que ontem pela manhã ouvimos
na rádio. Àquela hora da manhã o senhor Toni gosta de nos pôr a ouvir a Rádio
Mais. Uma rádio que, a essa hora se dedica inteiramente à informação de trânsito
por via da leitura dos sms dos ouvintes. O locutor, um tal de Jorge qualquer coisa,
com o timbre e a voz de um António Macedo, mas com vogais mais angolanas, relata
que por lá, para as bandas de um sítio qualquer no Nova Samba, está uma idosa pendurada,
uma idosa enforcada numa árvore.... Repete, «enforcada numa árvore», acrescentando
que «é preciso ver o que isto é». E continua com mais um dos seus “é tudo à toa!”
num débito de informação banal, que todos sabemos sempre «complicado», soltando
uma pequena risada porque no Kinaxixi, segundo um xéxé qualquer, se rola mais
do que bem...
Segunda-feira, 27 de Junho de 2011
Luanda, 27 de Junho de 2011, segunda-feira
Segunda-feira, 27 de Junho de 2011
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Ontem fiquei por Luanda. O cacimbo levantou relativamente cedo e pude aproveitar um dia de praia razoável. Estendi-me numa espreguiçadeira (1000kz) de verga e ali fiquei a passar pelas brasas e a ouvir musica. Pedi uma sandes de atum, um fino e comi sem me levantar. O preço (1900kz) é exactamente o mesmo da esplanada e atendendo a que é Luanda nem se pode considerar caro. Pela guarda do carro, uma vez que fui sozinho, paguei outros 1000 kz. Assim, um meu dia de praia absolutamente banal rendeu à cidade 3900kz, cerca de 30 euros.
Jantei no hotel, no quarto, por falta de companhia. Ambos os J. tinham programa e sozinho, à noite, não me puxa sair por aí. Comi um hambúrguer no prato que nem estava mal, tirando o facto de não ter ponta de sal. A comida por aqui é geralmente insonsa e curiosamente o sal que fornecem parece pó de talco e não se agarrando à comida.
Almoçámos no Rialto, uma cervejaria onde já tinha jantado uma omeleta. Desta feita comemos um bife com todos, cada um, dois finos – cada um também – e uns camarões ao alho, que eram seis e que vieram vestidos, nada tendo a ver com o que esperávamos. O almoço saiu a 8000kz (um disparate para o sítio e para a qualidade).
Amanhã folgo, não há formação. A mudança de grupo, um tal de conselho consultivo e a visita do Presidente de S. Tomé e Príncipe, Ramos Horta, deve ter estado na base do adiamento da sessão. Por essa razão tivemos de adiar o regresso para o dia seguinte ao inicialmente previsto. Saímos dia 5 à noite. Já temos a reserva feita. Amanhã vou ao Mussulo. Como é um dia de semana não apanhamos trânsito para sair de Luanda nem o granel habitual em que a ilha se torna ao fim-de-semana. Referem-nos que o Mussulo está descaracterizado. De ilha paradisíaca a refúgio de general renegado pelo regime. Se os do regime são o que são, nem é bom imaginar estes. Dizem-nos que os que lá vivem actualmente são os fugidos da justiça (a elasticidade deste conceito aqui é assustadora) e que por causa deles os preços por lá se tornaram impraticáveis (!).
Hoje “aventurei-me” a pé. Cheguei ao hotel, vesti as calças de ganga, despi-me de tudo quanto pudesse despertar à atenção e parti em busca de uma livraria. Ao fundo da rua (R. da Missão) à direita e novamente à esquerda, depois da sede do Jornal de Angola há a Livraria Lello. Os livros, caríssimos, são poucos. De entre estes há tantos livros técnicos – quase todos absolutamente inúteis, daqueles que em Lisboa se venderiam ao quilo – como literatura local e moçambicana. Uns quantos Paulo Coelho, como não podia deixar de ser e uns portugueses – Lobo Antunes, Saramago e Cardoso Pires. Acabei por comprar três livros do Luandino Vieira, os mais recentes, cada um a 2000kz. Ainda tentei a Mensagem, uma outra livraria ali perto, mas estava fechada. As montras revestidas a papel de embrulho, como se fechada para balanço. Pela vitrine pude vislumbrar o mesmo espaço amplo, a mesma ausência de livros, o mesmo ar pobre. Na Lello contei, para além da senhora da caixa, sete empregados, todos de batinha azul. A compra obedece aos trâmites do antigamente, apesar do terminal POS junto à caixa registadora poder indiciar algum sinal de modernidade. Primeiro um rapaz desenha numa caligrafia primária os títulos dos livros que vamos comprar seguidos do seu respectivo valor, depois, já com o papelinho na mão é suposto virarmo-nos e pagar na caixa, que fica imediatamente em frente deste balcão. A coreografia só fica completa depois de nos voltarmos a virar outra vez para o mesmo balcão inicial e levantarmos os livros.
Tudo parece uma viagem ao passado. Uma máquina do tempo que nem seria desagradável não fosse o facto de não ter sido contemplativa com a cidade. Os edifícios, as ruas, tudo parece fantasma, apesar de extremamente habitado e vivido. Os néons, apagados e aos bocados, outrora reflexo de uma abundância colonialista, lembram-nos as marcas, os comércios e as lojas portuguesas há muito desaparecidas. Os prédios que os suportam abrem rachas, escancaram portas e janelas onde, por entre os cacos se vê roupa estendida, cores encardidas, a secar.
Foi rápida a incursão. Tentei passar por nativo (ridículo). A minha cor de pele, apesar de bronzeada e as minhas roupas não enganam ninguém. Adoptei a estratégia de nunca ameaçar correr mas sem abrandar o passo. Não passar rente a paredes e a portas. Atravessar ruas numa aparência de calma e de controlo que não se pode ter quando se preza a vida. Não fixar ninguém nos olhos, como se todos me fossem rotineiramente banais. Ainda por ali andei uma hora, sempre a subir e a descer ruas, a “girar” à esquerda e à direita como se soubesse exactamente ao que ia. Não demonstrar passo de passeio nem o olhar de turista, por mais que me apetecesse ficar a contemplar e demorar-me. Não levei a máquina, ainda não foi desta. Talvez um dia destes. Afinal, o máximo que pode acontecer é perdê-la, levar dois estalos e um encontrão.
Jantei no hotel, no quarto, por falta de companhia. Ambos os J. tinham programa e sozinho, à noite, não me puxa sair por aí. Comi um hambúrguer no prato que nem estava mal, tirando o facto de não ter ponta de sal. A comida por aqui é geralmente insonsa e curiosamente o sal que fornecem parece pó de talco e não se agarrando à comida.
Almoçámos no Rialto, uma cervejaria onde já tinha jantado uma omeleta. Desta feita comemos um bife com todos, cada um, dois finos – cada um também – e uns camarões ao alho, que eram seis e que vieram vestidos, nada tendo a ver com o que esperávamos. O almoço saiu a 8000kz (um disparate para o sítio e para a qualidade).
Amanhã folgo, não há formação. A mudança de grupo, um tal de conselho consultivo e a visita do Presidente de S. Tomé e Príncipe, Ramos Horta, deve ter estado na base do adiamento da sessão. Por essa razão tivemos de adiar o regresso para o dia seguinte ao inicialmente previsto. Saímos dia 5 à noite. Já temos a reserva feita. Amanhã vou ao Mussulo. Como é um dia de semana não apanhamos trânsito para sair de Luanda nem o granel habitual em que a ilha se torna ao fim-de-semana. Referem-nos que o Mussulo está descaracterizado. De ilha paradisíaca a refúgio de general renegado pelo regime. Se os do regime são o que são, nem é bom imaginar estes. Dizem-nos que os que lá vivem actualmente são os fugidos da justiça (a elasticidade deste conceito aqui é assustadora) e que por causa deles os preços por lá se tornaram impraticáveis (!).
Hoje “aventurei-me” a pé. Cheguei ao hotel, vesti as calças de ganga, despi-me de tudo quanto pudesse despertar à atenção e parti em busca de uma livraria. Ao fundo da rua (R. da Missão) à direita e novamente à esquerda, depois da sede do Jornal de Angola há a Livraria Lello. Os livros, caríssimos, são poucos. De entre estes há tantos livros técnicos – quase todos absolutamente inúteis, daqueles que em Lisboa se venderiam ao quilo – como literatura local e moçambicana. Uns quantos Paulo Coelho, como não podia deixar de ser e uns portugueses – Lobo Antunes, Saramago e Cardoso Pires. Acabei por comprar três livros do Luandino Vieira, os mais recentes, cada um a 2000kz. Ainda tentei a Mensagem, uma outra livraria ali perto, mas estava fechada. As montras revestidas a papel de embrulho, como se fechada para balanço. Pela vitrine pude vislumbrar o mesmo espaço amplo, a mesma ausência de livros, o mesmo ar pobre. Na Lello contei, para além da senhora da caixa, sete empregados, todos de batinha azul. A compra obedece aos trâmites do antigamente, apesar do terminal POS junto à caixa registadora poder indiciar algum sinal de modernidade. Primeiro um rapaz desenha numa caligrafia primária os títulos dos livros que vamos comprar seguidos do seu respectivo valor, depois, já com o papelinho na mão é suposto virarmo-nos e pagar na caixa, que fica imediatamente em frente deste balcão. A coreografia só fica completa depois de nos voltarmos a virar outra vez para o mesmo balcão inicial e levantarmos os livros.
Tudo parece uma viagem ao passado. Uma máquina do tempo que nem seria desagradável não fosse o facto de não ter sido contemplativa com a cidade. Os edifícios, as ruas, tudo parece fantasma, apesar de extremamente habitado e vivido. Os néons, apagados e aos bocados, outrora reflexo de uma abundância colonialista, lembram-nos as marcas, os comércios e as lojas portuguesas há muito desaparecidas. Os prédios que os suportam abrem rachas, escancaram portas e janelas onde, por entre os cacos se vê roupa estendida, cores encardidas, a secar.
Foi rápida a incursão. Tentei passar por nativo (ridículo). A minha cor de pele, apesar de bronzeada e as minhas roupas não enganam ninguém. Adoptei a estratégia de nunca ameaçar correr mas sem abrandar o passo. Não passar rente a paredes e a portas. Atravessar ruas numa aparência de calma e de controlo que não se pode ter quando se preza a vida. Não fixar ninguém nos olhos, como se todos me fossem rotineiramente banais. Ainda por ali andei uma hora, sempre a subir e a descer ruas, a “girar” à esquerda e à direita como se soubesse exactamente ao que ia. Não demonstrar passo de passeio nem o olhar de turista, por mais que me apetecesse ficar a contemplar e demorar-me. Não levei a máquina, ainda não foi desta. Talvez um dia destes. Afinal, o máximo que pode acontecer é perdê-la, levar dois estalos e um encontrão.
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